
Comprei um robô. Olha o que eu vou fazer com ele.
Um robô open source de 435 euros está vindo pra minha mesa. Não porque eu precise de um robô, mas porque trabalhando de casa, uma companhia cai bem.
- ai
- ai-agents
- second-brain
- robotics
- open-source
Acabei de comprar um robô.
Ele se chama Reachy Mini, é open source, custa 435 euros, e o envio é em até 90 dias, então na pior das hipóteses chega em meados de novembro.
Tem 28cm. Pesa 1,5kg. Tem câmera, quatro microfones, caixa de som e nove servos que giram a cabeça e mexem duas anteninhas. Essas anteninhas são o jeito que ele imita emoções, que sinceramente é a parte que mais me deixa curioso.
Não anda. Não tem braço. Não pega nada.
Então por que comprar?
Primeiro motivo, sincero: trabalhando de casa, sinto falta de um colega.
A Lola não conta. Ela está aqui pelos petiscos e já deixou isso bem claro.
Segundo motivo, o de verdade: o nosso segundo cérebro não tem rosto.
Há meses eu e o Egils estamos construindo um AI OS: um framework de segundo cérebro especializado em operações de negócio e gestão pessoal, marketing, vendas, o trabalho de verdade. Ele fica em cima das suas notas, dos seus projetos, dos seus clientes, da sua agenda. Responde a partir do que está realmente no sistema, não do que o modelo acha.
Uso todo dia, quase sempre pelo WhatsApp. Mando mensagem pra ele como mando pra qualquer pessoa.
O que é ótimo, e também totalmente invisível.
Toda vez que explico pra alguém, preciso pedir pra pessoa imaginar. Esse é o problema dos sistemas bem feitos. Ninguém consegue ver.
Um corpo resolve isso.
- Faço uma pergunta em voz alta e ele vira pra mim
- Responde a partir das minhas notas reais, não de um modelo genérico
- Quem estiver na sala entende na hora o que a gente vem construindo
Por que justamente esse
Olhei várias outras opções antes, e algumas são realmente impressionantes.
Só que ou eram closed source, ou custavam uns 5.000 euros, ou precisavam de impressora 3D e alguns fins de semana livres antes de fazer qualquer coisa.
Esse custa pouco mais de 400 euros, é open source de ponta a ponta, e faz tudo que eu realmente preciso.
Porque o meu problema nunca foi andar. Não preciso de uma coisa que me siga pela casa. Perna custa milhares e não acrescenta nada a um agente. Eu precisava de algo que enxerga, escuta, fala e reage, em cima de uma mesa.
Pra que eu vou usar de verdade
Um colega. É o que mais me deixa curioso. Escrever pra um agente e conversar com ele não são a mesma experiência. Uma coisa que responde em voz alta, vira a cabeça quando você fala, e ainda imita emoções enquanto faz isso, muda a frequência com que você recorre a ela. Quero ver a cara dele reagindo a mim. Desconfio que vou usar o sistema mais só porque ficou mais gostoso de conversar.
Apresentações. Um assistente vivo na mesa durante workshops e palestras, em vez de eu narrando uma tela.
Vídeos e conteúdo. Ele torna um sistema abstrato visível em três segundos, coisa que eu nunca consegui com slide.
Praticar idioma. Se você está aprendendo algo difícil, uma coisa paciente com microfone te cobrando todo santo dia é exatamente a ferramenta certa.
O que levanta uma pergunta que fica na minha cabeça. Se um robô de mesa custa 435 euros hoje, e é genuinamente mais agradável de usar que uma janela de chat, daqui a dois anos todo mundo tem um? Do jeito que todo mundo acabou com uma caixinha de som inteligente, só que essa aqui conhece o seu negócio.
Não sei. Mas a aposta é essa.
A parte que importa mais que o robô
A decisão de arquitetura que realmente me interessa: o agente não roda no robô.
O nosso AI OS continua fazendo o que já faz. Posso mandar ele emitir uma fatura, analisar uma proposta, ou rodar uma pesquisa enquanto eu trabalho em outra coisa. Esse trabalho acontece onde sempre aconteceu.
O robô não é o cérebro. É o rosto, os ouvidos e a voz.
Ou seja, o corpo é trocável. Se sair hardware melhor ano que vem, escrevo um conector novo e o sistema embaixo não muda uma linha.
É o mesmo princípio por trás de qualquer sistema de IA que valha a pena. Construa a memória e a lógica uma vez só. Mantenha as interfaces substituíveis. Quase toda empresa faz o contrário, e aí cada ferramenta nova significa começar do zero.
Quase nenhuma empresa tem problema de IA. Tem problema de memória.
IA é copiloto, não substituto. Robô não muda isso. Só deixa o copiloto mais fácil de apontar.
O que vem agora
Quando chegar eu mostro tudo: unboxing, ligação, a primeira vez que ele responde em voz alta lendo das minhas notas. Inclusive as partes que quebrarem, porque vão quebrar.
Se você quer o sistema por trás, e não o hardware, na quinta-feira, 27 de agosto, 20h00 de Brasília, tem masterclass gratuita. É lá que eu mostro como o segundo cérebro é construído de verdade, a parte que funciona tendo ou não um robô na mesa.
Então me diz. Daqui a dois anos tem um desses em cada mesa, ou sou só eu adiantado e um pouco ridículo?
Artigos relacionados

De uma ideia antiga a um sistema funcional em uma semana: o Livro de Ocorrências Digital da Höganäs
Como a Höganäs no Brasil transformou uma necessidade real da manutenção em uma prova de conceito digital, funcional e em uso.

Do ChatGPT ao AI OS: por que as suas ferramentas de IA não geram valor
A maioria das empresas paga por ferramentas de IA e não vê valor real. O que falta é um sistema operacional de IA: segundo cérebro, contexto e agentes.

Agentes de IA para empresas e segurança de dados: o que Microsoft Scout e o agente Pesquisador realmente mudam
Microsoft Scout e o agente Pesquisador trazem agentes de IA corporativos que operam dentro da sua identidade, do GDPR e dos controles de DLP. Veja o que muda para o negócio.
Trabalhe conosco